Meus 57 anos






Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro.


Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.


Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.


Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.


Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas.


Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.


Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou:'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...


Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.


O essencial faz a vida valer a pena.


E para mim, basta o essencial!





(Autor desconhecido)
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La Buenos Aires/Caracas: A Volta das Carreteiras!

Uma das corridas mais fantásticas que conheço acontecerá novamente neste ano e faz parte da história do automobilismo sulamericano e mundial, mãe de todos os ralis que possam existir hoje e uma festa muito especial para os antigomobilistas.


Desde o dia 22 de junho estão abertas as inscrições para a terceira reedição simbólica do Rallye Buenos Aires/Caracas, uma das mais tradicionais provas argentinas de “carreteras” que percorrerá nada menos que 10.000 quilometros..
A largada acontecerá na cidade de Buenos Aires exatamente às 0:00 do dia 20 de Outubro atravessando seis países da América do Sul. e chegando à Caracas dia 20 de Novembro.

Como dizem os organizadores – qualquer fanático por automobilismo poderá competir.

A Primeira edição da Buenos Aires/Caracas se realizou no ano de 1948 e foi considerada, na época, como a competição automobilística mais importante do mundo.
Antes que acontecesse, ninguém acreditava que ela fôsse possível. Era um plano atrevido de alguns malucos por corridas .
Além dos problemas das estradas, a maioria de terra - havia trechos de passagem por verdadeiros caminhos de cabras – havia ainda os problemas políticos de uma América do Sul conturbada por incessantes levantes e golpes.
A instabilidade aumentava no momento que o roteiro apontava para mudanças diversas de temperatura e de altitude, com trechos a serem percorridos acima dos 4.000 metros e desertos sem viva alma.
A prova aconteceu novamente em 2008, comemorando os 60 anos desde sua criação.
Tentei buscar informações sobre a prova do ano passado mas não consegui ainda. Assim que tiver eu posto no blog.
Essas são as categorias:


A- Clássicas – Réplicas exatas das carreteras que participaram da 1ª edição em 1948, homologadas pela ACHTC ( Agrupación Clásicos e
Históricos del Turismo Carretera)

B – Réplicas das carreteras que participram das provas de turismo até a década de 60, também homologadas pela ACHTC.
C- Picapes de tração simples e 4X4

As inscrições custam US$ 9.200 ºº , cobrem despesas com hospedagem em todo o roteiro para uma dupla de participantes, passagens aéreas Buenos Aires/Caracas/Buenos Aires e translado dos carros de volta por navio .

Para maiores informações: http://www.labsascaracas.com.ar/

Veja também http://www.youtube.com/watch?v=6iCTC1ibDsI

http://www.youtube.com/watch?v=OV73HEi7gmo&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=e57CjbPcQZU&feature=related


http://www.youtube.com/watch?v=XwHHFSWhnyU&feature=related


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Heróis da resistência


Fiz um rápido test-drive com a
L-200 Super Production de Reinaldo Varella campeão de provas de Rali.

Deu para sentir na pele o que deve ser difícil competir na super categoria Cross Country.



"Todo o charme desaparece quando colocamos a balaclava, o macacão anti-chamas e nos sentamos a meio palmo do chão.A suspensão de um carro de corrida é muito mais dura que a de um carro esportivo comum. A temperatura dentro do cockpit aumenta de acordo com o número de voltas. Às vezes há fumaça e as emendas da pista fazem as costelas doerem a todo tempo. A visão é prejudicada pelas linhas aerodinâmicas e você tem de usar tampões de algodão nos ouvidos para não ficar surdo. A pequena alavanca de câmbio,assim como os pedais , não são macios e o volante nos dá socos nos braços.
È ganhar e perder. Muitas vezes ganhamos bolhas nas mãos e dores musculares e quase sempre perdemos alguns quilos durante a corrida”

Esse depoimento, de um famoso piloto da década de 70, acabou tirando do
pódium de minha fantasia e da de muitos outros jovens dessa epoca, a ideia de que,pilotar um daqueles bólidos era tão e sòmente prazeiroso.

Lembrei disso novamente ao ver, depois de alguns anos, a dificuldade de Airton Sena em levantar a sua taça no pódio no Grande Premio do Brasil que acabara de vencer em uma de suas memoráveis conquistas.Estava totalmente exaurido e cheio de dores.

E não poderia deixar de lembrar mais uma vez agora . Estava à frente de uma campeã do Cross Country Nacional, a pickup Mitsubishi L-200, categoria Super Production da dupla Reinaldo Varella e Marcos Macedo.


Para quem não sabe, Cross Country é a categoria mais áspera do automobilismo internacional.Um rali de velocidade que corre praticamente em trilhas e estradas vicinais de terra, sem qualquer preparação para competições, desertos e dunas. Os veículos são protótipos derivados de utilitários e caminhões.As provas podem durar até dez dias, como o caso do Rali dos Sertões e Dakar, com especiais diárias com centenas de quilômetros de buracos, pontes, poeira,valetas e lombadas. Nada parecido com um fórmula 1 ou carro de turismo, mesmo dos antigos. Bem pior!

A visão dessas máquinas coloridas não atenua qualquer comparação.
São altas do chão, usam pneus grandes de perfil alto e desenho agressivo e são despojadas de qualquer indício de itens de conforto.
Tubos de aço soldados rebuscam o interior completo dos veículos, de forma a criar uma super gaiola de proteção, já que por onde correm jamais existirá um guard rail ou áreas de escape.

Começamos pela L-200 de Varella. Aparentemente é como uma L-200 “normal”, um pouco mais alta e sem vidros na traseira. Um exame mais próximo mostra que de original não sobrou quase nada.

Toda sua carroceria, exceto a estrutura da cabine foram refeitas em fibra de vidro. inclui- se a caçamba completa que , ao invés da tampa tradicional é fechada apenas por uma rede de material sintético, pára-lamas, portas e todo o conjunto frontal.
O chassis original se mantém, uma exigência do regulamentos, que diferencia a categoria Super- Prodution dos Protótipos. Mas sobre ele um sem número de reforços e colunas tubulares alicerçam a estrutura principal do carro, adentrando a cabine e demais partes internas não só para garantir a proteção da tripulação mas também para absorver os enormes impactos e torções sofridos nesse off road intenso e em alta velocidade.

O painel original e bancos desaparecem nessa versão Mad - Max da Mitsubishi dando espaço à dois bancos de competição com cintos de cinco pontas e um rústico painel central com todo o estritamente necessário para os comandos,chave geral e relógios.No lado do navegador pronunciam-se equipamentos de medição e Gps, sempre em duplicata, rádio comunicação. Grossos tubos anelados de plástico passeiam por dentro da cabine para ajudar na ventilação interna, providenciada por um sistema de ar condicionado, cujos enormes radiadores e ventoinha são colocados no interior do que seria a caçamba original.Na parte traseira da cabine a estrutura tubular deixa pouco espaço, que é utilizado para bolsas de utilidade, ferramentas , macaco e extintores de incêndio, tudo bem fixo e protegido.Na caçamba, o pouco espaço restante é utilizado para enormes filtros de ar,dois ou até três estepes e esteiras rígidas de fibra de vidro para desatolamentos .
Mecanicamente a L-200 conta com um motor turbo diesel intercooler 4 cilindros, 2.477 cm com cerca de 180 cv, cambio de 5 velocidade originais, assim como a caixa de transferência e diferenciais. Nada aí pode ser diferente das características originais, a não ser pequenas alterações de débito da bomba de injeção e pressão do turbo, sistemas de refrigeração do motor e filtragem. Já no sistema de suspensão há alterações importantes, como a adoção de molas especiais e amortecedores duplos a gás com reservatórios para uso pesado. Os pneus, da linha Scorpion fornecidos pela Pirelli são do tipo Mud, mas também contam com algumas características de construção, principalmente da carcaça ,alteradas e reforçadas com cintas de aço.


Uma academia a 200 km /h

Entrar no carro já é uma dificuldade pois uma grossa barra tubular de proteção atravessa diagonalmente o espaço de entrada da porta. Tenho que passar por cima dela e cair, literalmente encaixado no banco concha.As regulagens desses bancos só podem ser feitas através de parafusos mas mesmo assim consegui me posicionar a contento. Cintos atados e não sobra quase espaço para respirar.
Acionado o motor pode se perceber que estamos em um veículo de competição.O barulho enche o interior da cabine.e pode ser percebido, mesmo com o uso do capacete. A visão para trás simplesmente inexiste.Engatamos a primeira e aceleramos. Ela é curta e poderosa. O motor acaba logo.Aprendo que, ao contrário dos motores á gasolina , os diesel não devem ser “esticados”, pois possuem bastante torque e melhor aproveitamento em rotações médias.Depois disso tendem a flutuar esem acrescentar mais potência.
O ruido interno aumenta, agora incrementado por barulhos oriundos da estrutura tibular em contato com as partes de fiberglass. A sensação é de estarmos se locomovendo dentro de um guarda-roupas motorizado e só com os cabides.
Engato segunda e depois terceira. Na primeira lombada já tenho que tatear a alavanca de câmbio. Tudo treme e me agarro ao volante, Agora o termo é chacoalhar violentamente. O cinto apertado, o assento pouco almofadado e a dureza da suspensão fazem com que eu já não saiba o que é céu e terra. Aprendo mais uma do off road. Nesses carros de rali, quanto mais rápido você andar, menos você sentirá as imperfeições do terreno. Depois de algum tempo tomo mão do meu caminho.
È impressionante a diferença quando se perde o medo de acelerar. Realmente se esquece do barulho e se perde o medo de encarar as dificuldades, A L-200 não se esquiva, apenas enfrenta e passa seguramente sobre aquele chão cheio de pedras, depressões e erosões.Um verdadeiro tanque de guerra em resistência. A traseira parece solta, escorregando nas partes mais arenosas.
Lembro-me que não havia engatado a tração nas quatro. Faço isso, mesmo em movimento e a coisa ainda melhora. Incrível como em 4X4 todos estes deslizes desaparecem, tornando o carro muito estável em toda essa instabilidade.Agora a tendência é a frente sair nas curvas. O negócio é antever a curva, apontar alguns metros antes e frear com antecedência. O carro entra meio torto e o remédio é acelerar para arrumar a casa. E assim vai. Penso que poderia passar horas ali sentado, dias, testando cada alteração da pista, cada curva nova.
E é esse a grande atração do Cross Country. Cada metro um desafio, uma novidade a se vencer, nada de monotonia.
Quando tudo já parecia perfeito fui sinalizado a parar. Havia, naqueles poucos minutos aprendido muito, mudando meu conceito a respeito daqueles carros e daquelas corridas..Além da técnica ser muito específica, correr na terra com esses equipamentos é também muito divertido.

Quase mudei de idéia antes de sair da L-200.Meu corpo todo doía , como se tivesse apanhado,um pouco de adrenalina demais e alguns músculos despertados. Agüentar seis a oito horas diárias no Rali dos Sertões?
Além do carro, a resistência física dos tripulantes também é um atributo altamente necessário. Há pilotos que têm seu rendimento subtraído pelo cansaço a ponto de tirarem o pé por pura falta de energia e concentração. Navegadores aumentam sua incidência de erros nas informações e o stress da quilometragem pode até causar discussões e brigas dentro dos carros. Coisas de Rali? Coisas de Rali... Nada fácil.
È preciso ser especial, não apenas um piloto, um navegador.
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Só não choveu jacaré...





Estou, aos poucos, escaneando velhas fotos que tenho arquivado ás milhares, durante esses 30 anos de off road. De vez em quando acho algumas ,que me trazem à memória histórias divertidas e ragicômicas como essa que estou postando.

Clique na foto para ampliar

Corrida Maluca

Foi em 89, acho, e estava escrevendo para a revista Autoesporte. Um grande amigo, o Sidney Barbosa, então de Cuiabá ,nos enviou um convite para cobrirmos um rali que ele e outros amigos off roaders do Mato Grosso estavam organizando.Fomos então ,eu e o fotógrafo Caio Ferrari, velho companheiro de outras aventuras e a F-1000 4X4 da foto, cedida pela Ford para a matéria.

Essas saídas de viagem sempre são uma correria, para pegar a verba, o carro, se organizar, etc... Há sempre um prazo muito curto para tudo... e pouca grana.

Mas fomos, felizes ao encontro do Rali, o primeiro a ser organizado em Cuiabá.Chegamos na cidade, depois de 1650 quilometros de estrada, para sairmos no dia seguinte.

Já na manhã, junto à largada que sería em um shopping, a cena da foto... Grande Sidão, isso não se faz com os amigos... Claro que fiquei honrado! Bem ao lado do Airton Sena!

E o Ralí não sería fácil, saindo de Cuiabá para Rondonópolis e retornando , na segunda etapa. Na lista de inscritos, jipes, Paratís, Gurgéis, Fiats 147, prontos para as trilhas do Pantanal em plena época de cheia(!) Um grupo de corajosos pioneiros!

Prá começar, a patrocinadora era uma marca de cerveja. E cerveja não faltaria a todos.O esforço do Sidney e dos demais organizadores, alguns também participando da prova foi recompensado quando o Rali largou, logo de manhã.

Partimos com a F-1000 atravessando diversas estradas e trilhas de fazendas nos arredores de Cuiabá adentrando o Pantanal com àgua até o capô. A pickup mostrou sua força e ficamos imaginando como estariam se portando os Fiat, a Parati. Para nós já não estava nada fácil...

Foram horas de sufôco, sem ver ninguém, só com a planilha e tentando identificar pontos no caminho desaparecido nos alagados, que não davam trégua.Chegamos em um local e encontramos uma das duplas, de Gurgel, com pane elétrica. Ufa, finalmente alguém. Nós estávamos sòmente perdidos. Eles estavam perdidos e quebrados. Conseguimos uma corda grossa e continuamos em frente (ou para traz?), agora rebocando nossos novos companheiros.

E vem água , matas e trilhas, porteiras e lama. A F-1000 sambava galhardamente o tempo todo em seu esfôrço para puxar aquele peso morto logo atrás.Toda nossa atenção era para dirigir e navegar aquele barco, ansiosos para que aquilo não demorasse mais.
Logo estaria escurecendo. È, já estávamos quase o dia todo saracoteando de trilha em trilha, riachos e estradas alagadas, abusando da nossa pickup, acelerando o tempo todo, pedindo informações, errando, voltando.
Agora, havia horas que nossa média baixara. A todo momento aquela corda arrebentava. A todo momento tínhamos de dar ré. Havia sempre um corixo, que é um riozinho do pantanal. Com a chuva, êsse corixo crescera. E lá fomos nós atravessando. A água subiu no parabrisa.Sem exergar acelerei o que podia e passamos. Aí lembrei-me do Gurgel.Paramos e a visão da dupla rebocada era a de dois bagres dentro de um aquário... Sairam rápidos lá de dentro. Junto com eles a enxurrada interna esparramou tudo o que se podia imaginar: Lanternas. papéis, biscoitos, latas de óleo, óculos.
Logo à frente chegamos em um desvio que eles reconheceram como acesso a uma estada principal. Deixamos adupla lá, de forma a acionarem outro resgate, já que pretendíamos continuar na trilha.
De vez em quando o Caio fazia umas fotos, quando dava.

Voltamos à planilha e escureceu. O local era de mata, e a água continuava. Chegamos em uma parte mais alta e lá estavam, pelo menos oito ou dez competidores, Fiats, Jipes, Fuscas e picapes 4X2. Como haviam conseguido chegar até lá eu jamais saberei.Estavam acertando o caminho e logo sairam em disparada rumo à vitória do dia...

E nós fomos atrás, já no escuro, tateando a planilha. Adentramos uma região seca mas de mata fechada. Encontramos alguns pescadores totalmente bêbados à margem de um riacho. Apagávamos os faróis e era um breu total! O caminho era uma trilha estreita de areia, mas firme.

De repente surge à nossa frente uma menina com seus dezoito, dezenove anos, de mini saia, gritando, chorando, descabelada com os olhos esbugalhados,completamente desesperada.Era uma das recepcionistas da tal marca de cerveja patrocinadora do evento. Sua função era ficar em um ponto da planilha e, sorrindo, distribuir cerveja para os participantes.

Ela havia sido simplesmente esquecida em meio ao Pantanal. À noite,corria sem enxergar quase nada naquele breu, ouvindo onças (E lá tem mesmo) e fugindo do assédio de pescadores que tentaram agarra-la quando foi pedir ajuda. Porisso estavam bêbados, claro..."Minha mãe vai me matar!- dizia ela - Ela nem sabe que estou aqui.... Me ajudem, por favor"

Ela era de Cuiabá estávamos, mais ou menos uns cento e trinta quilometros de lá.Pelo caminho certo, claro.

Mal largavamos um pepino e achamos outro pior. Resolvemos voltar por onde viemos e achar aquela estrada principal onde havíamos deixado a dupla de bag... ou melhor, a dupla do Gurgel. Conseguimos e lá estavam eles, ainda esperando ajuda.

Amarramos novamente o carrinho em nossa traseira e seguimos, agora seguros do caminho, exatamente ao contrário de onde o Rali deveria chegar: Para a largada.

A garota estava tão estressada e cansada que dormiu quase o caminho todo. Chegamos a Cuiabá e fizemos as entregas.

Rimos muito disso até hoje, mas a coisa poderia ter sido bem pior para a garota. Uma menina bonita, de pernas de fora, à noite, no meio do Pantanal, cheia de caixas de cerveja....
Ela teve sorte. Havia sido comida apenas pelos mosquitos!

Mas nossa aventura não acabou aí.
Saímos às pressas de Cuiabá pela BR com destino à Rondonópolis, onde o Ralí já dormia. Próximo ao um trevo nos deparamos com uma Parati participante do Rali...quebrada, claro. O espírito do Off Road diz que não devemos deixar ninguém para trás, certo?

A corda era longa, o cocar enorme....

Eram mais ou menos duas horas da manhã e entrávamos nas ruas de Rondonópolis, depois de uma viagem rebocando a Parati, sem faróis, sem motor, sem freios, com uma longa corda que arrebentava tanto que já estava cheia de nós. E nós dela, he,..he.. Da outra vez traremos uma corda de São Paulo, brincávamos.

O sono e cansaço era geral.As luzes de Rondonópolis bailavam como se dançassem uma convidativa e entorpecente música. Atravessamos a silenciosa avenida que dava acesso a uma rotatória.

Fomos despertados por um barulho seco. A pickup balançou e, pelo retrovisor o que eu ví foi alguém voando e se esborrachando de cara no chão, como um boneco de pano. Chocante!

A Parati estancou definitivamente sem qualquer tipo de energia, tal qual esse que vos fala. Saímos para entender o que havia acontecido.Um motoqueiro, a toda velocidade havia tentado passar por entre os nossos carros! E havia a corda esticada lembram-se?

Dessa vez ela não havia arrebentado!

Outro carro já havia parado e carregava o corpo mole do motoqueiro, como um trapo, para um pronto socorro qualquer. Veio a Polícia, fomos para a delegacia. Era um sábado. O delegado havia ido pescar na Sexta... e voltaria só na Terça -Feira. Segunda era feriado no Mato Grosso. Estávamos detidos até então.Pediram nossos documentos e o dos carros.
Ouvimos o investigador de polícia de plantão: - "O cara morreu?" perguntou ao telefone. Senti um calafrio.
"Ah, tá bom", respondeu ele mesmo.

O nosso motoqueiro era um soldado do Exército de folga, que havia se embriagado até as tantas, pêgo a moto do irmão e desembestado de madrugada Rondonópolis afora, sem habilitação, usando chinelos do tipo Havaianas. Desacordou com a porrada, continuou desmaiado de bêbado e, de mais grave havia apenas quebrado a clavícula. Eu acreditei muito mesmo que pudesse estar morto. O ambiente era de alívio.

"Mas tem uma coisa", disse o policial -"O carro de voces será apreendido pois a documentação está irregular. Os outro podem ir embora,mas voces dois vão ter de esperar o delegado voltar". Eram quatro da manhã.

Desculpem, mas p q p*, o que mais agora? O carro era da Ford, um carro nôvo o que poderia estar errado?Ele nos mostrou. Faltava o licenciamento do ano, que havia vencido.
Só para voces entenderem nosso desespero, era madrugada de domingo, e qualquer providencia sòmente poderia ser efetivada depois da segunda, quando a Ford retornaria ás funções... e quando o delegado resolvesse voltar da pescaria.
Eu queria chorar.O Caio estava sentado em um banco, apoiando a cabeça com as mãos. Acho que já estava desmaiado!

Já quase amanhecia a apareceram na delegacia o Sidney e o Roberto Adler, outro grande amigo do off road, atualmente gerente do Terraço Itália, em São Paulo. Souberam do fato e correram para lá. Conversamos e eles entraram na sala onde estava o investigador.

Sairam de lá com nossos documentos na mão, uma visão celestial, ato que não compreendemos até hoje como foi conseguido. Também nunca perguntei.Estávamos livres! Nada como ser da terra...

Depois dessa inesquecível noite saimos atrasados pois perdemos a hora da largada da segunda etapa do Rali.Tínhamos novamente a planilha e tudo seria mais fácil, as estradas agora eram largas, atravessando grandes fazendas.

Como o trecho era rápido, aceleramos a F-1000 o que podíamos mas , nada de alcançarmos o Rali. Novamente estávamos sózinhos correndo atrás dos poucos participantes que haviam saido ilesos da primeira etapa.

Finalmente chegamos a um ponto onde havia um neutralizado, mas os últimos carros já saíam de lá. Era um vilarejo com uma espécie de bazar onde indios vendiam suas penagens e diversos tipos de artesanatos, bonitos, por sinal.
Entre as coisas que compramos, o Caio trouxe um grande cocar de penas longas e coloridas, nada extravagante, que mal cabia na picape.
Coisas de paulistano, acostumado nas ruas de Moema.

"Rali é tudo igual"

E aceleramos de novo em último lugar."Ralí é tudo igual", falava o Caio. "O material que tenho já está bom. Só preciso de fotos da chegada, agora."

Meia hora depois a picape explodiu em uma núvem de vapor. No meio de nada, o suporte do radiador quebrou e o radiador caiu em cima da hélice de ventilação, fazendo um grande estrago, deixando vazar toda a água e fazendo o motor ferver imediatamente.Bye..Bye.. Ralí! Só faltava agora chegar um Gurgel atrazado para nos rebocar!

Duas horas passadas, depois de uma grande intervenção cirurgica , na qual não faltaram arames de cerca, Durepoxi , Silver-Tape a granel, e cadarços de tênis, saímos novamente, achando uma estrada que nos levou ao asfalto... para Cuiabá... de nôvo Cuiabá.

Cui....da...do...sa..mente chegamos à cidade para participarmos da festa de encerramento e entrega de prêmios.

Na manhã seguinte fomos á concessionária Ford, onde soubemos não haver a peça necessária para o conserto. Ligamos para São Paulo e nos mandariam a documentação da pickup em ordem, operação que levaria, pelo menos, mais tres dias.

Mas no dia seguinte, terça- feira o carro já estava pronto e resolvemos vir embora assim mesmo, arriscando nosso retorno. Nenhum guarda de transito ou rodoviário havia nos parado até então. Já havíamos rodado mais de 2500 quilometros!

Saimos lá pela hora do almoço passamos novamente por Rondonópolis, respiramos fundo e seguimos para Campo Grande, sempre de olho no reloginho da temperatura e nos Postos Rodoviários. Tudo normal e alcançamos a divisa com São Paulo, já a noite.


No municipio de Pereira Barreto, já no nosso estado, novo Posto Rodoviário. Seria só mais um, não fôsse o vulto de um capitão, naquele momento totalmente desagradável, saindo de traz de um caminhão, e nos acenando para que parássemos. Eu acredito sériamente que existe algum treinamento paranormal para os policiais de estrada saberem quem está com alguma coisa errada na documentação ou no carro. Impossível, isso. È um faro que nem os mais treinados dobermans possuem. Claro que fomos autuados e o carro apreendido!!

Eram dez horas da noite e estávamos à beira da estrada, com malas, tranqueiras diversas, equipamentos, quase tudo o que havia na pickup esperando uma carona ou o ônibus - que nem os policiais do pôsto podiam assegurar que realmemte passaria por lá mais uma vez naquele dia - para nos levar a Pereira Barreto. O bom da história é que, finalmente iríamos dormir.

Devido à quantidade de coisas que tivemos de tirar da pickup, estávamos com todas as mãos ocupadas. Sem conseguir segurar tudo , o Caio havia colocado seu lindo cocar no lugar que estava mais vazio naquele momento, a cabêça.

Então imaginem a cena. Dois caras à beira da estrada escura, dez ou onze horas da noite, cheios de bagulhos, um deles com mais de dois metros de altura, cerca de 130 quilos com um enorme cocar colorido na cabeça... quase saltando na frente dos carros e caminhões. Nossa silhueta, nas sombras era, no mínimo, bizarra.

Nem a Madre Tereza de Calcutá em seus dias mais benevolentes pararia para dar uma carona pra gente...

Chegou o ônibus felizmente e entramos, ante o olhar assustado do motorista e dos poucos passageiros que lá estavam. Brinquei e perguntei se na cidade havia um sanatório de loucos de plantão. Não houve um só esbôço de sorriso no onibus. Ninguém sequer olhava para a gente. Acho que estavam em choque!

Dormimos mais duas noites em Pereira Barreto. Na quinta, um motorista da editora trouxe, finalmente, os documentos da pickup.

Chegamos em São Paulo para escrever e editar a matéria pois o prazo de fechamento da revista havia estourado e onde estávamos,como em muitos locais do interior de São Paulo, naquela época, não havia disponibilidade de Internet.

Que ralí !

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Surpresas dos Sertões

Esse Brasilzão é mesmo cheio de surpresas. Olha só o que achamos bem próximo à largada da especial do Rally dos Sertões, na cidade de Carlos de Magalhães, Bahia. O nome da cachoeira é "Acaba Vidas", pois dizem que muita gente já se foi por lá.

O Edu, da Reunion deu sorte em um das poucas oportunidades que teve de estar fora das salas de imprensa e posa para a foto.

Clique para assistir

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Warn Adventure - Amazônia

Em 1994 a Expedição Warn foi uma das melhores que participei. A estrada BR 163 estava do jeito que todo tarado gosta. Junto com o jornalista Ricardo Panessa, ambos em um 110 vermelho presente nas fotos, vivemos a verdadeira aventura de transpor esta estrada Amazônica do Pará, junto com inesquecíveis companheiros. Entre eles o jornalista e fotógrafo IGNACIO ARONOVICH que nos brindou com essa maravilhosa apresentação.

Entre as curiosidades os pilotos Klever Kolberg e André Azevedo em um clima "nada convencional" para dois ralizeiros e um Gama Goat sendo usado como taxi em pleno lamaçal. Vários desses veículos haviam sido doados pelo governo Norte Americano para as prefeituras do Pará. Foram todos detonados, infelizmente.

Veja: http://www.lost.art.br/mudandmemories.htm Quando a foto abrir use o cursor para navegar as imagens
O vídeo dessa expedição está disponível em dvd -borac@borac.com.br
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Carnaval sem Bumbo


O Carnaval é um evento Nacional?
Não!!
Se você não faz questão do barulho, praias lotadas e da bagunça do carnaval, veja só para onde a gente tem ido.
As fotos são do passeio deste ano (2009), onde a tranquilidade e belas paisagens fizeram o menu.
Que tal agendar conosco no ano que vém?
Clique na imagem ao lado e sinta o drama!
Depois veja as fotos :
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Raposas


Info I
Vítimas da seca no Nordeste:
Quantos? - 10 milhões
Passam fome? - Sim
Passam sede? - Sim
Subnutrição ? - Sim
ONGs estrangeiras ajudando - Nenhuma

Info II
Indios na Amazônia

Quantos: 230 mil
Passam fome? - Não
Passam sede? - Não
Subnutrição? - Não
ONGS estrangeiras ajudando - 350

Curiosidades: A Amazônia tem: ouro, nióbio, petróleo, as maiores jazidas de manganês e ferro do mundo, diamante, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata, a maior biodiversidade do planeta (o que pode gerar grandes lucros aos laboratórios estrangeiros) e outras inúmeras riquezas que somam 14 trilhões de dólares.

Lei do menor esfôrço: Proporcionalmente há mais ONGs estrangeiras indigenistas e ambientalistas na Amazônia brasileira do que em todo o continente africano, que sofre com a fome, a sede, as guerras civis, as epidemias de AIDS e Ebola, os massacres e as minas terrestres.

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BORAC na Bocaina


Um dos roteiros mais bonitos de São Paulo está exatamente nos seus limites com o Estado do Rio de Janeiro, o Parque Nacional da Serra da Bocaina.
Para curtir de fato todas as imersões históricas, artísticas, sociológicas, naturalogicas, ou simplesmente o esperar por uma suave brisa do Atlântico em meio à floresta totalmente preservada é preciso dar tempo ao tempo.E o tempo dos caipiras não passa. Na morosidade do mascar do gado, da fumaça do chaminé a lenha, do farfalhar das folhas dos pinheiros e Araucárias, a Bocaina dá testemunhos de tudo o que ainda podemos conhecer das antigas paisagens brasileiras em pleno século 21.
Caipiras de São Paulo, Luar do Sertão,Saudades de Bocaina.
Ir lá, uma vez só é pouco.


O BORAC esteve novamente na estrada, sentido Bocaina, com 20 novos amigos em um fim de semana inestimável.
Estas são algumas cidades que fazem parte do roteiro, a partir de Quiririm, em Taubaté.
Veja as fotos:
São Luis do Paraitinga
São Luiz do Paraitinga é um dos 29 municípios paulistas considerados estâncias turísticas pelo Estado de São Paulo Foi fundada em 1769, sendo elevada a vila e sede de conselho em 1773. Tornou-se cidade em 1857 e declarada estância turística a em 2002. Em 1873, recebeu o título de Imperial Cidade, conferido por D. Pedro II do Brasil .
,Dentre seus atrativos, destacam-se, na área urbana, seu conjunto arquitetônico, visto que tem o maior número de casas térreas e sobrados tombados pelo
CONDEPHAAT no Estado de São Paulo (são quase 90 prédios declarados de interesse paisagístico) e a casa de Oswaldo Cruz ,hoje um centro cultural.(foto)
No turismo Ecológico e de Aventura, destacam-se várias trilhas, como a da Pirapitinga, do Corcovado, do Poço do Pito, do Ipiranga e do Rio Grande e os Raftings no Núcleo Santa Virgínia com duração de 6 horas e Brazadão com duração de 4 horas ambos realizados no Rio Praibuna.
O
carnaval de marchinhas foi reinventado e está mais vivo e forte do que nunca, recebe a cada ano mais turistas e é destaque na imprensa nacional e internacional.
O nome "paraitinga" em
tupi-guarani significa "águas claras".
Cunha

Cunha é um dos quinze municípios paulistas considerados estâncias climáticas pelo Estado de São Paulo, A população estimada e de 25.975 habitantes e a área é de 1.407,1 km², o que resulta numa densidade demográfica de 16,83 hab/km². O povoamento da zona ocorreu na primeira metade do século XVIII, sendo o município criado em 15 de setembro de 1785 pelo então Governador da Capitania de São Paulo, Francisco da Cunha e Menezes. Foi elevada a município em 1858 com a emancipação de Guaratinguetá. Vale apena visitar o Museu Francisco Veloso, localizado no prédio da rodoviária, grande acervo de peças antigas, principalmente da Revolução de 1932. É a maior produtora de pinhão do Estado e também concentra a maior frota de fusca do Brasil

Sabor Artesanal
Cunha já esteve no auge com a produção de vinho, introduzida no município por Antonio de Serpa Junior (chegou em Cunha para tratamento de saúde, escolhida esta pelo excelente clima que possui), ganhando medalha de prata na exposição Sul Americana realizada em Berlim no ano de 1887. Hoje a família Veloso vem trabalhando no resgate da vinicultura cunhense, já produzindo seus vinhos de mesa, sendo utilizada as uvas Isabela e Moscatel.




E, como se não bastasse, Cunha agora tem também sua própria cervejaria: a deliciosa Wolkenburg começou a operar comercialmente em maio deste ano, tocada pelo charmoso casal Thomas e Heikel Rau, que cuida de cada detalhe da produção. Totalmente artesanal, a cerveja é leve mas de sabor marcante, daqueles difíceis de esquecer. As visitas podem ser agendadas gratuitamente, com direito à degustação dos dois tipos de cerveja produzidos: Weiss e Dunkel
Cerâmica em Cunha
A cerâmica é uma atividade de crescente importância em Cunha. Ela existe desde que a região era ocupada pelos índios da etnia Guarani. Esta atividade foi continuada pelas paneleiras que produziam peças utilitárias com técnica rudimentar, queimadas em forno de barranco.
Em 1975 um grupo de artistas deu origem à cerâmica de alta temperatura em forno Noborigama, uma técnica trazida do Japão. Eles eram o casal Japonês Toshiyuki e Mieko Ukeseki, o português Alberto Cidraes e os irmãos oriundos de Minas Gerais, Vicente e Antônio Cordeiro. Atualmente Cunha é um dos mais importantes centros de cerâmica artística da América Latina, com 16 ateliers agrupados na Cunhacerâmica, associação dos ceramistas de Cunha. Os atelieres de cerâmica são a principal atração de turismo cultural de Cunha, recebendo inúmeros visitantes.

Lagoinha
Lagoinha nasceu à margem do caminho dos tropeiros, que transportavam café da região para o Porto de Ubatuba. A doação de patrimônio para a construção de uma capela em louvor à Nossa Senhora da Conceição em 1863, deu início ao povoado, elevado à vila em 1880, com o título de Lagoinha. O nome se deve a uma pequena lagoa, cuja água foi canalizada para um chafariz público, no povoado.Surge no período de maior crescimento urbano da região, na época do café. Em 1953, torna-se cidade. Com o fim do plantio do café, o município passou a viver da agricultura e pecuária, preservando várias características do tempo do café, inclusive culturais, como a festa do Divino Espírito Santo.



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Magia dos Andes


Acompanhe nossa viagem Magia dos Andes, que saiu de São Paulo e atravessou o Paraguai, Bolivia. visitou o litoral do Chile, chegando à Matchupichu, no Peru.
Voce também pode participar da próxima, que acontecerá em Setembro de 2009

Cadastre-se no BORAC através do site http://www.borac.com.br/ ou informe-se borac@borac.com.br

Os albuns, ainda em fase de organização estão no PICASA mas voce já pode visitar.

http://picasaweb.google.com.br/BORACNELSON/BORACMagiaDosAndesParaguaiEBolivia?authkey=Gv1sRgCLH4j5vB88qrAQ#slideshow/5287668123640426530

http://picasaweb.google.com.br/BORACNELSON/BORACMagiaDosAndesChileEPeru#slideshow

http://picasaweb.google.com.br/BORACNELSON/BORACMagiaDosAndesLagoTiticacaERetorno#slideshow/5332529904561961842

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Igor Sikorsky



"A ideia dum veículo que pudesse elevar-se do chão na vertical e ficasse imóvel a pairar no ar apareceu provavelmente ao mesmo tempo que o homem sonhou em voar pela primeira vez."
Igor Ivanovitch Sikorsky

Igor Sikorsky nasceu no Império Russo, em Kiev (actualmente capital da Ucrância), sendo o mais novo de cinco irmãos. O pai de Sikorsky, um emigrante polaco era professor de psicologia. A sua mãe, ucraniana, era física mas não exercia a profissão. Sikorsky estudou em casa até aos 9 anos e a sua mãe deu especial atenção à vida e obra de Leonardo da Vinci e às histórias de Júlio Verne. Ele começou a fazer experiência com pequenos modelos voadores e com 12 anos construiu um pequeno helicóptero que se movia à custa de elásticos.

Sikorsky estudou no Colégio de Guerra Naval de St. Petersburg de 1903 a 1906, e de 1907 a 1909, mas não terminou os estudos formalmente. Por um pequeno período, nos anos 1906-1907, estudou engenharia em Paris. Em 1908, Sikorsky e o seu pai viajaram para a Alemanha; foi aí que viu num jormal a fotografia de Orville Wright com o seu avião. Afirmou mais tarde acerca desse evento: "No prazo de 24 horas, decidi mudar o trabalho da minha vida. Decidi estudar aviação."
Recorrendo ao financiamento da sua irmã, Sikorsky regressou a Paris em 1909 para estudar aerodinâmica na escola de engenharia ESTACA (ETACA na época). Paris era na altura o centro da aviação na Europa. Encoutrou-se com vários pilotos fraceses, incluíndo Louis Bleriot, a primeira pessoa a atravessar o canal da Mancha pelo ar. Sykorsky regrssou a Kiev no mesmo ano e começou a efectuar experiências com máquinas voadoras.
Em 1912, Igor Sikorsky tornou-se Engenheiro Chefa da Russian Baltic Railroad Car Factory em Saint Petersburg. Em 1914, foi-lhe atribuído uma licenciatura Honoris Causa em Engenharia pelo Instituto Politécnico de Saint Petersburg. Obteve uma pequena ordem de produção do Exército Russo para o seu S-6-B. Teve outro trabalho, como engenheiro chefe, na produção da primeira aeronave com quatro motores, o Bolshoi Baltiski, a que ele chamava de "Grande". Ele também foi o piloto de teste do seu primeiro voo a 13 de Maio de 1913. Os aviões de Sikorsky foram utilizados pela Rússia como bombarderos na Primeira Guerra Mundial e ele foi condecorado com a Ordem de S. Vladimir.
Depois da Primeira Guerra Sikorsky trabalhou durante um curto período como engenheiro das forças Francesas na Rússia durante a Guerra Civil Russa. Como não conseguia antever um grande futuro como desenhador de aviões numa europa (e em especial a Rússia) em guerra, Sikorsky emigrou para os Estados Unidos em 1919.
Nos Estados Unidos Sikorsky começou por trabalhar como professor enquanto procurava por uma oportunidade para entrar na industria aeronautica. Em 1923, ajudado por antigos oficiais do exército russo, fundou a Sikorsky Aero Engineering Company. Nos apoiantes de Sikorsky estava o compositor Sergei Rachmaninov, que contribuiu com um cheque de $5,000.
Em 1928, Sikorsky naturalizou-se Americano. No ano seguinte a Sikorsky Aero Engineering Company foi adquirida e tornou-se subsidiária da United Aircraft, que por sua vez fazia parte da United Technologies Corporation. A companhia manufacturava barcos, tal como o S-42, usado pela Pan Am nos voos transatlanticos e conhecidos por Pan Am Clippers.
Sikorsky já tinha experimentados aeronaves tipo helicópteros na Rússia. Ele conseguiu obter frutos em 14 de Setembro de 1939 quando teve o voo inaugural do Vought-Sikorsky 300, uma máquina com um rotor de três pás alimentado por um motor de 75 cavalos. O seu primeiro voo livre ocorreu a 13 de Maio de 1940. O VS-300 não foi a primeira aeronave com rotor a voar mas foi a primeira com uma configuração de rotor principal e rotor de cauda que acabou por se tornar num padrão mundial.
Sikorsky obteve o galardão de Connecticut Aviation Pioneer atribuído pelo estado. A Sikorsky Aircraft Corporation , Connecticut, continua até ao presente como um dos principais fabricantes de helicópteros. Além disso foi dado o seu nome a um pequeno aeroporto nas redondezas, o Sikorsky Airport.
Igor Sikorsky teve uma filha que nasceu na Rússia e quatro filhos que nasceram nos Estados Unidos. O seu filho mais velho, Sergei, continuou na liderança da empresa quando Igor faleceu em 1972.